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Indicadores que importam na gestão hospitalar: como medir o que realmente melhora a operação

Em um cenário de pressão por eficiência, o diferencial está em acompanhar métricas que explicam a operação e antecipam riscos.

A saúde brasileira movimentou R$1,16 trilhão em 2025, valor equivalente a aproximadamente 9% do Produto Interno Bruto (PIB). Ao mesmo tempo em que esse mercado cresce em volume, também aumenta a pressão sobre hospitais para entregar melhores resultados assistenciais com recursos cada vez mais limitados. Nesse contexto, acompanhar indicadores deixou de ser apenas uma exigência de gestão e passou a representar um dos principais instrumentos para garantir sustentabilidade às instituições.

Essa preocupação ajuda a explicar os motivos que levam o Sistema de Indicadores Hospitalares da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) a reunir 337 variáveis, organizadas em 265 pontos que acompanham o desempenho assistencial, financeiro, operacional, de gestão de pessoas e de sustentabilidade. Poucos setores da economia monitoram tantas informações de forma estruturada. Ainda assim, hospitais continuam enfrentando desafios recorrentes relacionados à disponibilidade de materiais, compras emergenciais, desperdícios, custos e necessidade permanente de aumentar a produtividade.

A pergunta, portanto, talvez não seja o quanto se mede, mas se as informações observadas conseguem explicar aquilo que realmente determina o desempenho da operação.

Uma boa métrica explica uma causa, não apenas um resultado

Essa discussão ganha ainda mais relevância quando se analisa a cadeia de suprimentos. Segundo a McKinsey, consultoria de gestão estratégica global, ela administra até 40% dos custos totais de um sistema de saúde, o que faz da logística uma das áreas com maior potencial para gerar eficiência financeira. O mesmo estudo mostra que organizações mais maduras conseguem reduzir despesas relacionadas aos suprimentos em até 10%, resultado obtido por meio de melhor planejamento, maior integração entre processos e uso mais inteligente dos dados disponíveis.

Apesar desse impacto econômico, ainda é comum que as análises se concentrem nos efeitos visíveis da operação e, nesse sentido, compras emergenciais, aumento do estoque, perdas por validade ou oscilações no consumo costumam chamar a atenção porque aparecem rapidamente nos relatórios gerenciais. O desafio é que esses fatores quase nunca representam a origem do problema: na maior parte das vezes, refletem decisões tomadas semanas antes, influenciadas por parâmetros de abastecimento inadequados, baixa acuracidade dos estoques, registros inconsistentes ou limitações na integração entre sistemas.

O elemento mais importante que costuma ser pouco questionado: a qualidade da informação

Nenhum painel consegue apoiar boas decisões quando os dados registrados não representam fielmente a realidade da operação. Divergências de inventário reduzem a confiabilidade do planejamento de compras, enquanto cadastros desatualizados dificultam previsões de demanda, por exemplo. O resultado é um efeito em cascata que alcança diferentes áreas do hospital, desde a gestão financeira até a disponibilidade de materiais para a assistência.

A importância desse tema aparece, inclusive, nas referências internacionais para gestão de suprimentos hospitalares. A Association for Health Care Resource & Materials Management (AHRMM) estruturou um conjunto de marcadores considerados essenciais para entender o desempenho logístico das instituições de saúde, entre eles o giro de estoque, despesas com suprimentos em relação à receita, gestão de contas a pagar e disponibilidade de produtos. Mais do que acompanhar números isolados, a proposta é identificar tendências capazes de orientar decisões antes que problemas operacionais ofereçam repercussões financeiras ou assistenciais.

Essa mudança de perspectiva também altera a forma como a logística se relaciona com o cuidado ao paciente.

A nova geração de parâmetros que procura antecipar riscos

Um estudo publicado no Journal of Nursing Care Quality demonstrou que a reorganização do abastecimento de materiais em um departamento de emergência reduziu, e drasticamente, o número de deslocamentos realizados por enfermeiros para buscar insumos durante o plantão: antes da intervenção, os profissionais saíam dos quartos dos pacientes uma média de 11 vezes por turno de 8 horas e 10 vezes por turno de 12 horas para localizar materiais. Após, esses números diminuíram para 2,5 por turno de 8 horas e 1 por turno de 12 horas, liberando tempo para atividades assistenciais e evidenciando que decisões aparentemente operacionais repercutem diretamente sobre produtividade da equipe, assim como na experiência do paciente.

Os guias mais relevantes para a gestão hospitalar passam, então, a ser aqueles que ajudam a antecipar riscos. Assim, a acuracidade de estoque, rastreabilidade de medicamentos, índice de falta de insumos, tempo de atendimento das solicitações internas e giro dos materiais oferecem uma leitura muito mais consistente quando analisados em conjunto, pois revelam como pequenas variações em um processo podem desencadear efeitos em toda a cadeia logística.

A evolução da gestão hospitalar, portanto, não será definida pela quantidade de gráficos apresentados em uma reunião. E aqui, na UHT Log, pensamos diariamente em soluções que ajudem e capacitem instituições a transformar informação confiável em decisões capazes de evitar desperdícios, otimizando os recursos e garantindo que insumos estejam disponíveis exatamente quando o cuidado exigir.

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